Quase 64 milhões de brasileiros não concluíram a educação básica
O Brasil tem aproximadamente 63,9 milhões de pessoas com 15 anos ou mais que não concluíram a educação básica. O número representa 37,3% da população brasileira nessa faixa etária, ou seja, mais de um terço dos jovens e adultos do país não conseguiu finalizar os estudos.
Os dados fazem parte do levantamento “Demanda Potencial por EJA e Transição para o Trabalho”, elaborado pela Rede EJA e Inclusão Produtiva com base em informações da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2025, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Do total de brasileiros que não concluíram a educação básica, 44,7 milhões não terminaram o ensino fundamental. Outros 19,3 milhões chegaram a iniciar o ensino médio, mas abandonaram os estudos antes de obter o diploma.
Desigualdade social e racial
O levantamento também revela que a falta de escolaridade está diretamente relacionada às desigualdades sociais e econômicas. Pessoas pretas e pardas representam 63,9% do grupo que não concluiu a educação básica, evidenciando a desigualdade de oportunidades no acesso e na permanência na escola.
A diferença também aparece na renda. Entre as pessoas que estão fora da escola e não concluíram a educação básica, a renda domiciliar per capita média é de R$ 1.427. Já entre aqueles que concluíram o ensino médio ou superior, o valor chega a R$ 2.777.
A escolaridade também influencia as oportunidades profissionais. Entre as pessoas que não terminaram o ensino fundamental, apenas 43,1% participam do mercado de trabalho. Esse percentual sobe para 73,5% entre quem concluiu o ensino médio.
Em relação ao emprego formal, a diferença também é significativa: 38,4% dos trabalhadores sem ensino fundamental completo possuem vínculo formal, enquanto o índice chega a 65% entre aqueles que finalizaram o ensino médio.
Brasil perde R$ 66 bilhões por ano
Além dos impactos individuais, a baixa escolaridade representa um prejuízo para a economia brasileira.
Segundo o estudo, caso mais pessoas tivessem concluído a educação básica, o país poderia gerar aproximadamente R$ 66 bilhões adicionais por ano em rendimentos do trabalho. O valor corresponde a cerca de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.
A estimativa considera os ganhos que poderiam ser alcançados com melhores oportunidades profissionais, aumento da renda e maior participação de trabalhadores qualificados no mercado.
EJA atende apenas 1,5% da demanda
Um dos principais desafios apontados pelo levantamento é a baixa capacidade de atendimento da Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade destinada a pessoas que não tiveram oportunidade de concluir os estudos na idade considerada adequada.
Atualmente, a EJA atende apenas 1,5% da demanda potencial existente no país. Apesar de milhões de brasileiros precisarem retomar a formação escolar, as matrículas nessa modalidade vêm diminuindo nos últimos anos, acompanhadas pela redução da oferta de turmas.
Entre 2012 e 2025, o número de pessoas que não concluíram a educação básica caiu 16%. Entretanto, o estudo alerta que essa redução não ocorreu principalmente pela ampliação do acesso à educação. Mais da metade da diminuição está relacionada à morte de pessoas de gerações mais antigas, que tiveram menos oportunidades de frequentar a escola.
Especialistas defendem mudanças na educação de adultos
Diante desse cenário, o levantamento aponta a necessidade de ampliar e adaptar as políticas públicas voltadas à Educação de Jovens e Adultos.
Entre as medidas consideradas importantes estão a criação de horários mais flexíveis, modelos de ensino compatíveis com a rotina de trabalhadores, estratégias para evitar o abandono escolar e iniciativas que aproximem a formação educacional das oportunidades de emprego.
A proposta também envolve fortalecer a integração entre educação e qualificação profissional, permitindo que jovens e adultos retomem os estudos sem precisar abandonar suas atividades de trabalho e responsabilidades familiares.
O desafio de garantir a conclusão da educação básica para quase 64 milhões de brasileiros vai além da ampliação das matrículas. Envolve combater desigualdades históricas, melhorar as oportunidades de emprego e garantir condições para que a população consiga permanecer na escola e concluir sua formação.

