Operação bloqueia R$ 15 milhões em esquema de remédios falsos
O Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Polícia Civil deflagraram, na manhã desta quinta-feira (5), a segunda fase da Operação Laziosi, que investiga uma organização suspeita de falsificar e comercializar medicamentos utilizados no tratamento contra o câncer. A investigação também apura possíveis crimes de lavagem de dinheiro.
A operação prevê o cumprimento de três mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão em seis cidades paulistas: Araraquara, Matão, Marília, Agudos, Mirassol e São Paulo.
Além das prisões e buscas, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 15 milhões em bens e valores dos investigados e a suspensão das atividades de sete empresas suspeitas de envolvimento no esquema.
Investigação começou em 2024
As apurações tiveram início em 2024, depois que um fabricante de medicamentos denunciou a comercialização de um imunoterápico falsificado, utilizado no tratamento de diferentes tipos de câncer. O produto teria sido vendido por uma distribuidora de Araraquara a um hospital da capital paulista.
Exames laboratoriais confirmaram que o medicamento não continha o princípio ativo necessário para produzir o efeito terapêutico esperado.
Na primeira fase da operação, realizada em novembro de 2024, os investigadores identificaram uma rede de empresas que supostamente atuava em conjunto para comercializar os produtos falsificados. Algumas delas não apresentavam estrutura operacional compatível com os endereços registrados.
Entre janeiro e novembro daquele ano, foram identificadas notas fiscais que ultrapassaram R$ 1,5 milhão em vendas do medicamento investigado. As negociações teriam alcançado estabelecimentos de saúde de pelo menos sete estados brasileiros.
Medicamento falso chegou a ser aplicado em paciente
Mesmo após a primeira etapa da operação, a distribuidora teria continuado com as atividades. Em abril de 2025, nove unidades de outro medicamento oncológico falsificado foram comercializadas com um hospital do interior de São Paulo.
Segundo as investigações, uma das unidades chegou a ser administrada em um paciente com câncer. As outras oito foram recolhidas e substituídas.
A apuração também identificou que os medicamentos utilizados na substituição pertenciam a um lote relacionado a uma carga roubada em Minas Gerais.
A nova fase da Operação Laziosi busca interromper as atividades do grupo, aprofundar as investigações e recuperar os recursos financeiros obtidos por meio do esquema. O caso segue sob investigação, e as medidas judiciais não representam condenação dos suspeitos
