Vacinação contra pólio segue abaixo da meta no Brasil

3 de novembro de 2026

A cobertura vacinal contra a poliomielite continua abaixo dos índices recomendados pelas autoridades de saúde no Brasil. A doença, também conhecida como paralisia infantil, pode provocar sequelas permanentes, incluindo paralisia irreversível dos membros, além de complicações graves que podem levar à morte.

A meta estabelecida pelo Ministério da Saúde é vacinar pelo menos 95% do público-alvo. Entretanto, o país não consegue atingir esse percentual desde 2016, situação que mantém o alerta para o risco de reintrodução do vírus e de novos casos da doença.

Em 2023, a cobertura nacional chegou a aproximadamente 85,6%, um dos melhores resultados dos últimos anos, mas ainda distante do índice considerado ideal. Mesmo com sinais de recuperação em alguns períodos, a imunização permanece insuficiente para garantir a proteção coletiva em todo o território nacional.

O que explica a queda na vacinação?

A redução da procura pelas vacinas está relacionada a diferentes fatores. Entre eles estão a desinformação, a circulação de notícias falsas nas redes sociais e a desconfiança de parte da população em relação aos imunizantes.

Outro problema é a falsa sensação de segurança provocada pelo desaparecimento dos casos de poliomielite no cotidiano dos brasileiros. Como a doença deixou de ser registrada no país há décadas, alguns responsáveis podem acreditar que não existe mais necessidade de vacinar as crianças.

No entanto, a ausência de casos não significa que o vírus tenha sido eliminado mundialmente. Enquanto houver circulação em outros países, existe a possibilidade de reintrodução por meio de pessoas infectadas.

Também existem dificuldades práticas que prejudicam a atualização da caderneta de vacinação, como incompatibilidade entre os horários de funcionamento das unidades de saúde e a rotina de trabalho dos responsáveis, esquecimento das datas das doses e dificuldades de acesso aos postos.

A redução da cobertura preocupa porque a vacinação protege não apenas as crianças imunizadas, mas também contribui para impedir a circulação do vírus na comunidade. Quando muitas pessoas deixam de receber as doses necessárias, aumentam as possibilidades de transmissão.

Vacina passou por mudanças no esquema de aplicação

Desde 4 de novembro de 2024, o Brasil adotou um novo esquema de vacinação contra a poliomielite, substituindo as doses de reforço da vacina oral, conhecida popularmente como gotinha, por uma dose injetável.

A mudança seguiu recomendações internacionais e teve como objetivo aprimorar a segurança e a estratégia de imunização.

Atualmente, o calendário infantil prevê quatro doses da vacina inativada contra a poliomielite (VIP):

  • 2 meses: primeira dose;
  • 4 meses: segunda dose;
  • 6 meses: terceira dose;
  • 15 meses: dose de reforço.

A vacina injetável já era utilizada nas três primeiras aplicações. A principal alteração foi a substituição do reforço oral pela versão injetável.

A mudança não diminuiu a importância da vacinação. Pelo contrário, a conclusão de todas as etapas continua sendo fundamental para garantir a proteção das crianças contra a doença.

Brasil está livre da doença, mas risco de retorno permanece

O último caso de poliomielite causado pelo vírus selvagem no Brasil foi registrado em 1989. Em 1994, o país recebeu a certificação internacional de área livre da circulação desse vírus.

Apesar dessa conquista, o Brasil já foi classificado como território de alto risco para a reintrodução da poliomielite, considerando fatores como a baixa cobertura vacinal e as dificuldades na vigilância epidemiológica.

A preocupação das autoridades sanitárias é que a existência de grupos de crianças não vacinadas permita a circulação do vírus caso ele volte a entrar no país.

Vacinação gratuita pelo SUS

A vacina contra a poliomielite está disponível gratuitamente nas unidades básicas de saúde de todo o país.

Pais e responsáveis devem verificar a caderneta de vacinação das crianças e procurar uma unidade de saúde para atualizar as doses pendentes.

A orientação é não esperar campanhas específicas para colocar a vacinação em dia. A proteção deve começar nos primeiros meses de vida e seguir o calendário recomendado pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Manter a cobertura vacinal elevada é uma das principais estratégias para evitar o retorno de uma doença que já provocou milhares de casos de paralisia infantil no Brasil.

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