Bets ilegais são alvo de operação em seis estados

5 de novembro de 2026

Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), realizada na manhã desta quinta-feira (5), investiga um esquema de apostas on-line ilegais que teria movimentado mais de R$ 700 milhões por meio de empresas de fachada. A ação ocorre no Distrito Federal e em outros cinco estados: São Paulo, Goiás, Paraná, Ceará e Rio Grande do Norte.

Batizada de Operação Azzardo, a investigação apura a utilização de empresas com atividades comerciais aparentemente legítimas para receber, concentrar e redistribuir dinheiro proveniente de plataformas de apostas que funcionavam sem autorização federal.

As investigações começaram há aproximadamente cinco meses, após um alerta da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda, que identificou sites de apostas operando irregularmente.

Segundo a Polícia Civil, os depósitos realizados pelos apostadores eram direcionados a empresas que não tinham relação com o setor de jogos. Entre os estabelecimentos identificados estão uma clínica de assistência psicossocial e uma loja de tarô, ambas localizadas em Sobradinho, no Distrito Federal.

Os investigadores também encontraram empresas registradas em endereços onde funcionavam outros estabelecimentos comerciais ou imóveis sem atividade aparente. Em um único endereço em Ceilândia, dez empresas diferentes utilizavam o mesmo número de telefone.

Justiça determina bloqueio de R$ 3,4 bilhões

A operação mobiliza aproximadamente 200 policiais civis e cumpre mandados de busca e apreensão em diferentes cidades.

A Justiça autorizou o bloqueio de contas e ativos financeiros de 64 pessoas físicas e 120 empresas, até o limite de R$ 3,483 bilhões. Também foi determinada a suspensão dos registros de 100 empresas e empresários individuais.

Outra medida prevê a quebra dos sigilos bancário e fiscal de 82 pessoas físicas e 83 pessoas jurídicas, além da proibição de abertura de novas contas bancárias pelos investigados durante 90 dias.

Não foram expedidos mandados de prisão nesta fase da operação.

Fintech paulista também é investigada

As apurações identificaram movimentações financeiras de aproximadamente R$ 739 milhões relacionadas às empresas investigadas. O esquema também teria utilizado uma fintech de São Paulo, que processou cerca de R$ 1 bilhão em operações relacionadas às apostas suspeitas.

De acordo com os investigadores, parte dos recursos era redistribuída entre pessoas e empresas e também convertida em criptoativos, dificultando o rastreamento do dinheiro.

A investigação busca identificar todos os envolvidos, esclarecer a origem e o destino dos valores e interromper o funcionamento da estrutura financeira utilizada pelas plataformas ilegais.

Os suspeitos ainda não tiveram suas identidades divulgadas e as investigações continuam.

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